Problemas no sistema de climatização teriam levado a proliferação de fungos em quatro depósitos da instituição, afetando importantes fundos documentais, como 1° Ofício de Notas do Rio de Janeiro. Formado por 10 mil livros de notas, produzidos entre 1594 e 1972, o conjunto documental é um dos mais acessados da instituição, trazendo, conforme o Arquivo Nacional, “testamentos, procurações e escrituras de compra e venda, de doações, de inventários, de partilhas, de hipotecas, de divórcios e de cessão de direitos que contam um pouco da vida privada dos cariocas ao longo dos séculos”.
As informações foram relatadas por servidores da instituição, preocupados com o risco de iminente dano aos acervos e com a integridade física dos seus colegas, sobretudo os que lidam diretamente com os depósitos afetados. Conforme os servidores, os problemas nessas áreas de armazenamento existem por volta de uma década, mas foram agravados nos últimos anos diante dos sucessivos cortes de verba sofridos pelo órgão. Eles denunciam, ainda, perseguições e a existência de uma prática institucional de silenciamento e isolamento contra aqueles que insistem em cobrar soluções do corpo dirigente do órgão.
A raiz do problema seria a falta de manuteção e obsolescência do sistema de refrigeração dos depósitos documentais. Embora um projeto de requalificação para o Arquivo Nacional tenha sido amplamente noticiado há mais de dois anos, os servidores informam que sequer o projeto dessa obra teria sido concluído, acrescentando que dirigentes teriam usado o anúncio para se escudar de criticas, assim reforçando sua inércia.
Abandonado durante os governos Temer e Bolsonaro, o Arquivo Nacional encontra severas dificuldades para se reerguer, conforme registrado em notas subscritas desde 2023 pela ANPUH-RJ, a AAERJ e outras entidades.
Servidores, arquivistas e pesquisadores vêm chamando atenção das autoridades competentes para tais problemas, apontando como seu cerne fatores como as nomeações de pessoas para a direção do órgão sem ouvir as entidades arquivísticas, a perda de sua autonomia administrativa e financeira, reduzido a uma secretaria do Ministério da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos, a permanência, na instituição e no Ministério, de quadros ligados ao governo anterior e à administração bolsonarista do Arquivo Nacional, além de uma crônica falta de diálogo do MGI com os servidores do Arquivo Nacional e a comunidade arquivística em geral.
Solicitamos com urgência providências do Governo Federal diante de tão séria ameaça ao patrimônio arquivístico nacional!
Associação Nacional de História (ANPUH)
Associação Nacional de História – Seção Rio de Janeiro (ANPUH-RJ)
Associação dos Arquivistas do Estado do Rio de Janeiro (AAERJ)